Miami e coisa nossa

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“Miami é o Brasil que funciona”, resume a carioca Larissa Doria, que morou por anos em San Diego, Califórnia, e acaba de se mudar para a pontinha da Flórida. “San Diego é cidade pequena, tipo Saquarema (RJ), mas Miami é o Rio de Janeiro”, diz, olhando para o mar azul-turquesa. Dava mesmo para confundir aquele cenário com a Barra da Tijuca. O sol esturricante em pleno inverno, a faixa de areia branca e larga, mulheres de biquíni de lacinho, a rede de futevôlei com morenos sarados suando as sungas brasileiras. Mas, ao lado das meninas de biquíni, havia outras de topless. A rede não era de futevôlei, mas sim de footvolley. Não há gente vendendo biscoitos Globo, muito menos Guará Plus e Limão Plus. Caipirinha na areia só não rende multa nas espreguiçadeiras dos hotéis e das geladeiras térmicas (nesse caso, coolers) só saem suquinhos e refrigerantes (ou qualquer outra coisa devidamente disfarçada de produto não-alcoólico).

Na falta de calçadão, as pessoas correm numa faixa que eles deram um jeito de pavimentar e disfarçar, cobrindo-a com fina camada de areia. Os extremamente coloridos postos de salva-vidas, então, não deixam dúvida de que estamos em South Beach. E nem é preciso saber que o salva-vidas se chama Kevin. Não por acaso, Larissa estava nesse pedaço de areia, entre as ruas 3 e 4 da Ocean Drive. É a conhecida “Praia dos Brasileiros”. Não tem placa, nem limites rígidos, mas todo mundo sabe que ali lagarteam nossos saudosos conterrâneos.

Gente como o piloto de Fórmula Indy Tony Kanaan, que mora há doze anos na cidade. Soteropolitano, não consegue ficar sem uma praia por perto. A maioria das vezes é em Key Biscayne, ilhota ao sul de Miami Beach, onde mora com a mulher, Daniele, e o filho, Leonardo, de 7 meses. “Key Biscayne é ótima para criança, mas quando quero ver gente vou para a ‘Praia dos Brasileiros’. Tem futevôlei, frescobol, homens de sunga e mulheres de biquíni brasileiro”, diz. Quem quer uma praia mais sofisticada vai para o Delano. “Dá para alugar cadeiras e guarda-sóis do próprio hotel e ficar bebendo uma caipirinha, pedir uns camarões.

O Nikki Beach também é legal, agito total depois das 5 da tarde. A partir das 8, vira balada.” E se eu estava naquele pedaço de praia conversando com Larissa era por causa de Tony. Esta reportagem não vai tentar reproduzir os passos literalmente tortuosos de Britney Spears nem de Lindsay Lohan. Nem vai dar muita bola para o fato de a repórter ter esbarrado na atriz Jennifer Aniston no lobby do Hotel Mandarin. O que faremos aqui é seguir, passo a passo, dicas de brasileiros – famosos ou anônimos – mas que têm uma coisa em comum: conhecem Miami como Manoel Carlos conhece o Leblon. E conhecem o Leblon de Manoel Carlos tão bem quanto você. Afinal, a novela das 8 passa aqui com apenas um dia de atraso, motivo pelo qual em época de capítulos finais todos evitam falar com parentes no Brasil.

“Você está tivo a novela hoje?” Tivo é uma marca popular de gravador de vídeo digital. A frase é muito comum entre a comunidade brazuca de Miami e quem diz isso é Kika Concheso, manager de Tony Kanaan, que mora há 35 anos na cidade. “Quando cheguei aqui, éramos tão poucos brasileiros que todos se conheciam. Não tinha nem fax. Telefone era caríssimo. As pessoas recebiam telex do Brasil. A invasão brasileira mesmo foi na época do Collor. Hoje, nos mercadinhos brasileiros há de tudo – de Sonho de Valsa a kit para feijoada. É uma festa: o Brasil ficou muito mais perto.”

Uma dica de Kika nos leva ao Palácio Viscaya, uma insana “villa renascentista italiana” encomendada em 1916 pelo industrial de Chicago James Deering, em plena Coconut Grove. O palácio que funciona há décadas como museu e exerce especial fascínio em noivas latinas produzindo fotos para seus álbuns de casamento, é prova de que a extravagância de Miami é uma mania antiga. Deering foi um dos primeiros ricaços americanos a aderir à moda de ter residências de inverno na cidade. Começava o primeiro boom imobiliário em Miami. O bairro ao lado, Coral Gables, surgiu nessa época, na década de 20, um empreendimento anunciado como “A Cidade dos Sonhos”, um verdadeiro paraíso na terra. Podia até ser o sonho dos americanos naqueles anos de Lei Seca, que nunca realmente vigorou em Miami (lembra-se das pessoas levando suspeitos sucos para a praia alguns parágrafos atrás?).

Da mesma forma que esses bairros arborizados e cheios de belas casas ao sul de Downtown foram o pedacinho de paraíso na terra escolhido pelos brasileiros que chegaram com a leva Collor. “Foram os paulistas que descobriram Miami, todo mundo morava pelos lados de Coral Gables. Daí, chegamos nós, os cariocas, e fomos empurrando-os para a praia”, conta a empresária Claudia Dunin, que hoje mora nos novos prédios de South Point, a pontinha de South Beach, onde a art déco dos anos 30 dá lugar aos envidraçados arranha-céus, fruto do último boom imobiliário da cidade.

A pedreira de onde saiu o material para erguer Coral Gables virou a Venetian Pool, um dos segredos mais bem guardados do bairro. Uma linda piscina pública, cercada por um jardim tropical, cenário de concursos de beleza, filmes mudos e também palco de apresentações musicais históricas. Em 1925, Paul Whiteman e sua orquestra tocaram ali, todos impecáveis em trajes de banho. Bem perto, há outra piscina famosa, a do hotel Biltmore. “Se puder, faça um passeio por esse hotel lindíssimo e dê um mergulho na piscina, uma das maiores dos Estados Unidos”, indica a cantora Wanessa Camargo, que morou em Miami durante um ano, em 1999, e volta sempre que pode. “Miami é caribenha, americana, latina, cheia de personalidade, chances, opções e o que você quiser”, entusiasma-se.

Realmente, a piscina do Biltmore impressiona, mas nem tanto quanto o conjunto da obra desse hotel construído em 1925 por George Merrick, o fundador de Coral Gables. Projetado por Schultze e Weaver, os mesmo arquitetos que assinaram o Waldorf Astoria de Nova York, ele tem uma torre de 100 metros inspirada na de Giralda, em Sevilha, e aparentemente fonte de inspiração para The Hollywood Tower Hotel, o hotel mal-assombrado da Disney.

O Biltmore, e seu lobby cheio de gaiolas de canários, é um famoso alvo para caça-fantasmas, embora queira ser hoje conhecido pelo impecável campo de golfe que acaba de receber uma injeção de 5 milhões de dólares. No penúltimo andar da torre está uma das suítes mais disputadas do hotel, conhecida como a suíte de Al Capone, cativa do maior gângster de Chicago e, nos dias de hoje, a preferida de Bill Clinton. A pesada escrivaninha de madeira da sala foi comprada para o então presidente despachar do hotel, em uma de suas visitas. “Uma vez, vi o Bill Clinton no Prime 112, seu restaurante favorito. Quase nem percebi que era ele, estava sem seguranças”, conta o expiloto de Fórmula Indy e hoje empresário André Ribeiro. Ele morou na cidade entre 1994 e 2000. “Miami tem esse lado da pujança americana mesclado à descontração do povo latino, tem essa alegria de andar até tarde, de encontrar bares abertos a noite inteira e não até as 2 da manhã como em outras cidades americanas. Parecia que eu estava de férias”, conta.

O Prime 112 está também entre os restaurantes favoritos de Wanessa Camargo, Tony Kanaan e mais meia Miami. No comecinho da Ocean Drive, em South Beach, resume bem a idéia do que é sair para jantar na cidade onde ver e ser visto é tão obrigatório quanto pagar gorjetas de 15% a 18%. Com o passar dos steaks, a casa vai enchendo e vira um animado lounge. Na sua cola, vieram outros restaurantes nesse pedacinho da Ocean Drive, onde os predinhos art déco são mais residenciais e nem tão conservados. O último, Devito, aberto há oito meses, tem como sócio o ator Danny DeVito. “Eles servem o maior carpaccio do mundo e o melhor Kobe beef que comi na vida”, diz Kanaan.

O grande precursor da gastronomia na área, no entanto, está ali pertinho, numa paralela da Ocean Drive. “O Joe’s é um clássico obrigatório. Tem essas patas de caranguejo enormes que só existem na Flórida”, recomenda a empresária Kathy Vilhena que, desde 1991, se reveza entre suas casas no Rio de Janeiro e Coconut Grove. Mil quilos de patas de caranguejo saem diariamente da cozinha do Joe’s Stone Crab, que está nas mãos da mesma família há 95 anos. Sua história se confunde com o desenvolvimento de South Beach. A octogenária Jo Ann Bass era bem pequena na época em que o restaurante aberto pelos avós tinha apenas meia-dúzia de mesas e seu quarto ficava no andar de cima. Em 1930, começou a expansão, sempre aproveitando a entre-safra do Stone Crab, de meados de maio a meados de outubro. Não por coincidência, foi na década de 30 – quando Miami amargava as conseqüências da Grande Depressão americana, somadas a um terrível furacão, em 1926, mais uma praga que destruiu as plantações de laranja da Flórida – que South Beach começou a brilhar.

Os responsáveis foram um grupo de investidores judeus que iniciaram a construção de pequenos hotéis e edifícios em estilo art déco, na pontinha sul de Miami Beach. Os turistas, então, voltaram e nunca mais abandonaram Miami. Muitos deles nem atravessam as pontes que ligam a península ao resto da cidade. Tem muita coisa legal fora de South Beach, mas para quem tem pouco tempo aquilo ali já é um mundo. O sul de South Beach tem os restaurantes bacanas e os beach clubs, bares/restaurante com espreguiçadeiras e chão de areia. O Nikki, que nos fins de semana vira balada depois das 5 da tarde, é o mais famoso. Mas se você quer ver celebridades de calibre, a dica é o La Piaggia.

Uma grande placa “Members Only” só serve para manter distantes os desavisados. “É um beach club transadíssimo, como os de Saint-Tropez. Superfrancês, superchic. Domingo é o melhor dia para ir, embora o serviço seja terrível”, indica a empresária Cristiana Machado, que mora há 24 anos em South Beach. “Praticamente, não atravesso a ponte.” Um pouco mais ao norte, entre as ruas 5 e 10, está a South Beach dos postais. É difícil andar pela calçada, tamanha a aglomeração de gente tropeçando entre as mesas de restaurantes pega-turistas e cafés, como o New’s, onde o esporte de ver e ser visto é levado às últimas conseqüências.

Passa gente com cobra enrolada no pescoço, meninas com microvestidos de lantejoulas à plena luz do dia, lado a lado a outras de biquíni, sósias de Shakira, de mãos dadas com imitadores de Kevin Federline. Já na rua, o desfile é de automóveis. Porsche disputa com Maserati, Bentley sai atrás de Ferrari. O trânsito é caótico, mas ninguém quer andar mais rápido. Basta apontar a câmera para um carro que todos os seus ocupantes abrem sorrisos, acenam. Mesmo se, para isso, você parou o trânsito. No meio de toda essa muvuca, motoqueiros exibem o ronco de suas motos por horas, mesmo com as máquinas estacionadas. As pessoas disputam atenção com mais afinco do que crianças em creche. A impressão que dá é que Miami é uma cidade de carentes.

Também entre as ruas 5 e 10, mas na paralela Collins, o people watching dá lugar a uma atividade muito apreciada por nós brasileiros: comprar, comprar e comprar. É aqui que estão algumas das lojas bacanas da cidade. Apenas no quarteirão entre as ruas 6a e 7a, concentram-se MAC, Urban Outfitters, as multimarcas descoladas Intermix e Leo, a Nine West, uma Gap. No quarteirão seguinte, a nova-iorquina Barney’s Co-Op é a estrela. Esqueça-se, no entanto, daquele estereótipo do sacoleiro brasileiro que invadia a Miami da década de 90. Hoje, quem quer comprar vai para Orlando, onde os outlets são mais acessíveis e númerosos. “O turista que vem para cá mudou muito”, analisa Tony Kanaan. “Se antes só vinham aqueles que compram muamba, hoje vêm para a balada, para curtir South Beach, vem muito europeu. Isto aqui é praticamente uma Las Vegas sem jogo.”

Claro, fazer compras é uma conseqüência natural, mas não o motivo de uma viagem para cá. Mesmo porque o único lugar em que você vai achar grandes barganhas é no Sawgrass Mills, o maior outlet de toda a Flórida, a meia-hora de Miami, quase Fort Lauderdale. O lugar é uma cidade com cerca de 350 lojas, onde o tempo passa numa velocidade impressionante enquanto você revira pilhas atrás de uma calça jeans da Gap por 7 dólares (sim, eu encontrei!). Além das marcas mais populares, como a própria Gap, Banana Republic ou Nike, o Sawgrass tem uma ala chique – o Colonnad Outlets – com pontas de estoque de grifes como Burberry, Ferragamo, Escada ou Valentino. Como disse Leonardo Brettas, um executivo de uma empresa de bebidas que vai ao menos três vezes por ano para Miami, “é programa para um dia inteiro”.

Dito e feito. Sorte que meus consultores – o Leo, inclusive – me mandaram para outros malls onde eu não teria dinheiro para comprar uma meia, mas que enchem os olhos. O mais lindo de todos, o Bal Harbour, é um passeio bem bacana. Marcas como Prada, Chanel e Bvlgari em meio a corredores ao ar livre e arborizados. Entre as lojas recémabertas, estão a primeira Agent Provocateur de Miami, aquela grife londrina de lingerie sexy-fetichistas de Joseph Carre, o filho de Vivienne Westwood.

Também aqui, há pouco mais de um ano, foi inaugurado o La Goulue, a primeira filial do simpático bistrozinho novaiorquino. Ao norte de Bal Harbour fica o Aventura Mall, com todas aquelas marcas mais populares e grandes lojas de departamentos, como Macy’s, Bloomingdale’s, JC Penney e Sears, mas que não é agradável de passear e só é barato de comprar em tempo de liquidação. E, ao sul, para os lados de Coral Gables, está o Village of Merrick Park, com Burberry, Carolina Herrera e por aí vai. “É um superambiente, só tem Porsche parado na porta. E é bom para comer – tem restaurantes gostosos e que não são caros”, conta Leo. Resolvi arrancar umas dicas de compras do empresário Mário Bernardo Garnero, habitué de Miami há anos e sócio de alguns negócios na cidade. “Vou lhe dar duas dicas quentes: o Cipriani e o W Hotel.” Demorei para entender que compra para ele não era calça jeans e sim apartamentos de mais de 1 milhão de dólares nos dois mais esperados hotéis/condomínios de luxo da cidade.

A Miami de Garnero e de outros que circulam nesse jet set internacional concentra-se principalmente nos arredores da Lincoln Road e expande-se rapidamente ao norte, à medida que novos empreendimentos vão surgindo. “Chego e vou direto para o Shore Club. Daí, passo o dia no Setai. Pego praia lá na frente. Nado, ando, corro, nado de novo… Vou para o spa do Setai. Para jantar, vou para o Nobu ou para o Quattro, meu próprio restaurante. Daí, vou para o Mokai”, conta Garnero. O W Hotel será duas quadras acima do hotel Setai, atual tradução do que é bacana em Miami Beach. Muito próximo do Mokai, o clube noturno onde Lindsay Lohan já tomou umas a mais (novidade!). Menos de cinco quadras ao sul está o Delano, com decoração Philippe Starck e o Florida Room, o novíssimo clube decorado por Lenny Kravitz em pessoa, que, aliás, tem um estúdio na cobertura do Setai. Ao lado do Delano está o pouco mais low profile e ainda mais descolado Sagamore, cujo restaurante/balada, The Social, tem como hostess das noites de sábados Ingrid Casares, amiga mais que íntima de Madonna.

Esse circuito passa certamente pelo Shore Club, hotel de decoração duvidosa, mas que abriga o célebre restaurante japonês Nobu, o italiano Ago (de Robert De Niro), o Sky Bar e a butique Scoop, onde nenhuma blusinha sai por menos do que 500 dólares. Já o futuro Cipriani ficará bem mais para cima, na Av. Collins, mas ainda mais perto do que o Fontainebleau, hotel histórico que reabre neste ano turbinado com dois modernos anexos, 1400 suítes, onze restaurantes e clubes noturnos, uma reforminha que custou 1 bilhão de dólares. Os novos empreendimentos esticam-se até o norte de Bal Harbour, como hotel/condo Acqualina, erguido há um ano em Sunny Isles, que abriga o Il Mulino, cujo original de Nova York está cotado há anos entre os melhores italianos da cidade.

Nesta Miami dos amigos de Garnero o melhor companheiro do homem é o concierge do hotel. É ele quem pode usar seus contatos para reservar um restaurante impossível ou lhe fazer passar pela seleção cruel dos leões-de-chácara dos mais badalados clubes noturnos. “A Set, que é a balada mais legal, convém reservar. As chances de entrar aumentam se for um casal e chegar cedo, lá pelas 23 h. Homens desacompanhados são quase sempre barrados”, ensina Leo Brettas. Ele completa: “Na Mynt Lounge, a door police também é muito forte.

Para entrar, melhor reservar uma mesa, o que quer dizer comprar uma garrafa de champanhe para cada duas pessoas, a 350 dólares. Senão, para aumentar suas chances, melhor arranjar uma menina na fila e fingir que são um casal. Lá dentro, você vê aquela coisa, mesas comprando champanhe Cristal e distribuindo-o para todo mundo. That’s what Miami is all about.“. “Em Miami, as pessoas sabem o que é uma verdadeira festa. Todo mundo, rico ou pobre, está lá para ganhar dinheiro e se divertir”, resume Garnero, que bem podia estar falando de um brasileiro que não nasceu em berço de ouro e fez um verdadeiro império ali.

O artista plástico pernambucano de Jaboatão dos Guararapes, Romero Britto, chegou a Miami há 22 anos com uma mão na frente e outra atrás. Pintou paredes, vendeu sanduíche, enquanto exibia suas obras no chão de Coconut Grove. “Semana passada, o Schwartzenegger e a mulher, Maria, vieram aqui pintar com as crianças”, diz ele ao posar para a foto desta matéria, abraçado à sua Ferrari amarela decorada com seus inconfundíveis traços. A galeria de Romero Britto é na Lincoln Road, coração de South Beach, mas o conjunto de galpões onde ficam seu ateliê e o head quarter de uma impressionante indústria de gravuras que decoram casas de Madonna ou Gloria Stephan, está próximo ao Design District, onde cheguei por indicação de Kathy Vilhena. “É um lugar ótimo para passear em dias de semana, bem badalado, cheio de ateliês e lojas de design para fuçar. Não chega a ser um Soho, mas está indo por esse caminho.

Em termos de arte a cidade cresceu muito, principalmente por causa do Art Basel”, diz ela, referindose à feira mundial de arte que acontece em dezembro. O Design District surgiu em 2002 e hoje reúne mais de 120 lojas de móveis, objetos e roupas, concentrados em poucos quarteirões ao norte de Downtown. Além de restaurantes bacanas, como o Brosia, boa dica de André Ribeiro. “Miami está muito mais descolada. Essa mudança aconteceu depois da construção dos teatros Performing Arts, da revitalização de Downtown”, conta Kathy. André Ribeiro concorda e lembra que sua primeira corrida nos Estados Unidos foi em Miami, mas, como o autódromo de Homestead ainda não existia, o circuito era de rua em plena Downtown, e passava bem onde hoje está a American Airlines Arena, outro marco da revitalização do então esquecido centro da cidade. Atrás dessa onda de descobrir novas áreas para além das pontes de Miami Beach, veio a mais descolada das chefs da cidade.

Natural de Miami, mas de família judaica argentina, Michelle Bernstein é o tipo de chef que mal entra na cozinha, fica desfilando sorrisos e jogando conversa fora no salão lotado do Michy’s, que abriu recentemente ainda mais ao norte, em plena Little Haiti. “Escolhi um lugar onde não houvesse nem Gap nem Victoria Secret’s. Minha comida não é comercial”, diz. Voltando ao outro lado da ponte, onde Gap e Victoria Secret’s são tão presentes quanto desejadas, acabamos na Lincoln Road. A rua fechada para pedestres, ao norte de South Beach, em que passear, comer, beber e comprar andam juntos, é mais ou menos onde todos os núcleos da novela de Manoel Carlos se cruzariam.

Tony Kanaan não resiste ao frapuccino de chá-verde do Starbucks e freqüenta a galeria de Romero Britto, que, por sua vez, adora o Van Dyke, onde Cristiana Machado vai de vez em quando ouvir jazz, apesar de preferir comer no Quattro, o restaurante de Mario Bernardo Garnero, também recomendado por Wanessa Camargo, que adora o clima do Segafredo aos domingos, dia de feirinha na Lincoln Road. Mas domingo é dia de praia, a rede de futevôlei está cheia de garotos de sunga, já tem gente tomando champanhe no Nikki Beach. E o resto, você já sabe.

Fonte: Proxima Viagem