Opiniões políticas motivaram boicote ao Detonautas, diz Tico Santa Cruz

Tico mora na Barra e gosta muito de frequentar as praias da região | Foto: Reprodução/Facebook

*Por Fernando Rosenthal

A relação da música com a política é muito antiga e existe desde a Idade Média. Mais do que simples versos e cantigas, as canções já ajudaram reis ou líderes religiosos a manter o poder e a influência sobre a população.

Mas nem tudo eram rosas. Algumas músicas criticavam as ideias dos líderes e por conta disso muitas chegavam a ser classificadas como “profanas”, ou seja, formas musicais contrárias às regras sagradas e divinas estabelecidas por reinados e lideranças religiosas.

Como consequência não era raro que compositores fossem expulsos da Igreja ou difamados apenas por criticar ou discordar de situações autoritárias. Em pleno 2017 a situação mudou de contexto, mas as represálias…

Em entrevista exclusiva ao Barra Da Tijuca.com.br Tico Santa Cruz que é líder da banda de rock Detonautas afirma que eles foram alvo de boicote de alguns setores com quem trabalhavam por conta do posicionamento contrário ao processo de Impeachment que a ex-presidente Dilma Rousseff passou em 2016.

Com mais de 2 milhões de seguidores na rede social Facebook Tico foi um das figuras públicas que mais se expuseram no período de afastamento da ex-presidente, dando suporte a tese de golpe de Estado que é sustentada pelos apoiadores de Dilma. Ele acredita que suas opiniões políticas interferiram negativamente nos negócios da banda.

– Pensávamos que alguns contratantes e empresários teriam maturidade de não misturar as coisas, mas no Brasil o conceito de democracia ainda está muito imaturo. Só que o mundo gira e nós vamos virar o jogo porque nossa música é grande e nós lutamos pelo que acreditamos – afirma.

Ainda assim o músico não pretende deixar o espirito crítico de lado. Ele afirma que até dentro da banda há um constante debate sobre política. O vocalista do Detonautas afirma que o grupo trata o engajamento em questões sociais e políticas com muita importância. Algo que o cantor diz sentir falta no rock brasileiro.

Em um post recente no Facebook o líder do grupo reclamou que os representantes do estilo no Brasil estão fazendo o rock perder força. Entre as razões está a falta de renovação e desunião entre as bandas. Para Tico até a rebeldia, marca clássica do gênero, sumiu.

– É um estilo que tem se mostrado bastante conservador inclusive, chato e careta. O mundo mudou e a forma de se comunicar com o público e com a juventude também está diferente. Logo, essa renovação é urgente e é urgente que, fora do Brasil, o Rock também alce algum movimento que dê uma movimentada na garotada – argumenta.

Ciente do incômodo que suas opiniões podem levantar em pessoas comuns  o cantor afirma que fica atento quando anda nas ruas, mas que procura não se intimidar. Diz tomar precauções, mas nada que o faça deixar de aproveitar a região da Barra da Tijuca, bairro ao qual é morador.

– Gosto das praias. Moro aqui por conta da tranquilidade que ainda resiste. Mas na Barra você não consegue fazer quase nada a pé e isso é muito ruim. Nenhum lugar é perfeito afinal – contemporiza.

Entre os planos para este ano estão um maior destaque à carreira autoral do que o mundo político. Tico concorda que o enfoque em assuntos públicos trouxeram maior visibilidade como influenciador digital do que vocalista da banda de rock. Os planos agora são a música e os livros.

– Até bem pouco tempo atrás acredito que sim, muitos me viam muito mais como ativista e formador de opinião do que como músico. No entanto esse ano vou me dedicar à música e aos meus livros. Quando uma coisa se juntar a outra será bastante positivo – acredita.

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