O Yoga na mudança dos padrões comportamentais

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Muitas vezes nos damos conta de que, apesar de tantos planos e metas, pouco fazemos para atingi-los. Muitas vezes nos cobramos ou frustramos com essa inércia que nos afeta e paralisa, mas o que pode nos impedir de concluir um objetivo ou seguir uma missão é, de fato, a força da Inércia. A Inércia tem sua força em hábitos conscientes ou inconscientes que fazem com que andemos em círculos indo rápido para lugar nenhum, e, em sânscrito, existe uma palavra para isso: Samskara.  Samskaras são tendências, hábitos, padrões de comportamento, conscientes ou não, que nos impedem de ir além da nossa zona de conforto, e que estão profundamente presos ao nosso mental. Em Manas, nossos pensamentos, palavras e ações vão criar os samskáras (impressões na mente) que vão determinar nossas tendências, vásanas, isto é, nosso caráter.

Na visão do grande sábio Patanjali (responsável pela compilação de todo o conhecimento sobre Yoga de que hoje usufruímos), portanto, os samskaras são as sementes dos pensamentos e emoções que, quando amadurecem, produzem novos pensamentos, desejos e vontades, mantendo em funcionamento a roda do samsara, aprisionando e condicionando o ser humano. Segundo o mestre indiano, o psiquiatra, Sri Dhira Chaitanya, “adquirimos padrões impróprios de pensamento nos vários estágios da vida. Desfazer esses padrões e tornar a mente simples e cognitiva é crescimento. Para as mentes simples, o ensinamento da filosofia do Yoga funciona como fogo e a pessoa preenche o objetivo da vida humana”.

O trabalho da psicologia ocidental é ampliar a visão limitada que temos de nós mesmos. A psicologia indiana vai um pouco além, indicando que o mero conhecimento dessas tendências inconscientes não pode livrar totalmente o homem de seus complexos e outras perturbações mentais. Os psicólogos indianos acreditam que os samskáras podem ser controlados e transformados somente num real processo de total desenvolvimento psicológico. Nessa visão da psique humana, podemos conhecer tudo isso, ter uma visão abrangente, equilíbrio e até podemos, inclusive, conseguir lidar com o mundo e com os outros, mas só nos libertaremos de nossos conflitos quando reconhecermos nossa identidade “divina”. Caso contrário, começaremos a rodar em círculos.

Nada é por acaso. Nem nós mesmos! Tudo indica que estamos aqui por que fomos chamados, e é nossa responsabilidade descobrir e conhecer esse chamado, e a prática do Yoga pode ajudar MUITO no reconhecimento desses padrões para que possamos nos desapegar deles e ouvir aquela voz interna que nos guia para finalmente realizarmos o nosso destino, para mudarmos nossa visão de nós mesmos como seres com um Eu limitado, temporal. Com a visão de quem somos, podemos lidar com aqueles impulsos que ainda habitam nossa mente, com as dificuldades que ainda enfrentamos, para podermos dissolver a urgência e a ansiedade da temporalidade.

Namastê!

Glaucia Cantergiani (gcantergiani@dh.com.br)

Professora de yoga e fisioterapeuta

(21) 98858.4138

 

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