“Marombeiros” usam suplementos e anabolizantes por status social, diz pesquisador

Livro lançado nesta segunda-feira aprofunda lado social das academias | Foto: Banco de Imagens/Pixabay

Se você frequenta ou já frequentou uma academia, com certeza já ouviu falar de frequentadores que usam suplementos alimentares ou anabolizantes.

Assunto comumente tratado como uma questão de saúde, agora também pode ser analisado como uma questão social.

Pelo menos é o que aponta o livro “Corpos no limite”, lançado nesta segunda (31), na Livraria da Travessa do Barra Shopping, na Barra da Tijuca.

Publicação será lançada na Travessa | Foto: Divulgação

Escrito pelo doutor em Saúde Coletiva e professor de Educação física pela UFRJ Alan Camargo Silva, a publicação vai além da leitura caricata das academias brasileiras e analisa a fundo as relações nos ambientes de ginástica.

Morador da Barra da Tijuca há 33 anos, o pesquisador carioca decidiu acompanhar como os moradores e frequentadores da Barra e da Cidade de Deus usavam suplementos alimentares e anabolizantes sem nenhuma restrição.

O que ele constatou é que essa utilização influenciava não só no corpo, mas também na mentalidade das pessoas:

– Quem nunca ouviu ou presenciou a seguinte pergunta: “O QUE VOCÊ TÁ TOMANDO PARA FICAR COM O CORPO ASSIM?”. Esse questionamento rotineiro em academias me demonstrou como as pessoas classificam se o suplemento alimentar é “natural” ou “artificial” ou se o anabolizante é uma “bomba” ou faz parte do “tratamento/reposição hormonal”. Destaco também como professores de Educação Física usam e lidam com essas substâncias no interior das academias e como ocorrem os comércios dentro e fora desses estabelecimentos – constatou.

Por mais de um ano o professor frequentou academias da região e analisou diferentes perfis, públicos, portes e redes/filiais com distintas filosofias/perspectivas sobre a atividade física.

Como conclusão percebeu que usar determinados tipos de substância pode não representar apenas uma maneira de “aprimorar o corpo”, mas também uma forma de garantir status.

–  A mesma “ostentação” de vestuários, carros, viagens, negócios, etc. podem ser vistos na atribuição de valor aos equipamentos de ginástica, a determinado suplemento se é importado ou não, a cor do squeezze se combina com determinada roupa à moda sportwear, à contratação de personal trainer como um modo de se legitimar naquele espaço, etc – comenta o professor.

Além dos efeitos colaterais

Tese de doutorado de Alan, o livro mostra como essas substâncias fazem parte do cotidiano dos profissionais de saúde e são amplamente divulgados pela mídia, redes sociais e pelos frequentadores de academias ou praticantes de atividades físicas sem nenhuma preocupação.

O doutor em Saúde Coletiva afirma que a publicação foi uma forma que ele encontrou para que professores e praticantes de atividade física possam refletir que os efeitos efeitos colaterais e adversos ao corpo, como lesões renais, hepáticas e/ou cardiológicas são apenas parte do problema.

–  A contribuição deste livro é fazer pensar como as inúmeras noções de risco são variáveis entre diferentes contextos e grupos sociais, no caso do meu estudo, fiz um comparativo entre o bairro da Cidade de Deus e a Barra da Tijuca. O propósito central da obra é demonstrar como o que “ingerimos” ou “tomamos” indica as nossas trajetórias de vida ou inserções sociais – afirma.

Serviço:

Evento: Lançamento do livro “Corpos no limite”

Data:30 de outubro, segunda-feira

Horário: 18h30

Local: Livraria da Travessa – Barra Shopping

Preço: 44,90

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