Psicóloga fala sobre crianças e condomínios: “criamos nossos filhos para o mundo”

Barra da Tijuca é reconhecida pela grande quantidade de condomínios | Foto: Banco de Imagens/Shutterstock

*Por Fernando Rosenthal

O mês de outubro é recheado de simbolismos ligados à educação. Em um período de uma semana temos o Dia das Crianças (12) e logo em seguida o Dia dos Professores (15).

Mais do que uma tarefa dos educadores, a formação de jovens e crianças é uma responsabilidade prioritária dos pais.

Nessa fase, uma das preocupações mais comuns é a segurança dos pequenos.

O Rio de Janeiro – infelizmente – é conhecido pelos altos índices de violência urbana, o que instintivamente desperta nos pais o desejo de preservação tão logo as crianças começam a ter vontade sair de casa para brincar.

Um exemplo de como o assunto segurança é levado à sério no Rio é a Barra da Tijuca.

O bairro é majoritariamente feito por casas e apartamentos em condomínios, uma forma que os moradores encontraram controlar os passos dos filhos e reduzir a sensação de insegurança que assola a cidade.

– Essas famílias que escolhem morar em condomínios, se esforçam para ficar livres da violência, acidentes e tantos outros acontecimentos infelizes do dia a dia. Um dos motivos dos pais se sentirem mais seguros em relação a seus filhos morarem em condomínio é o fato de usufruírem de uma portaria – com profissionais treinados – que controla a entrada e saída de pessoas e carros, circuitos de câmeras e, em alguns casos, profissionais que trabalham como segurança, representando maior garantia e menos riscos aos pequenos – aponta Amilton Saraiva, especialista em condomínios da GS Terceirização. 

“Crianças de até 10 anos não devem ficar muito tempo distantes ou andar sozinhas”, diz Amilton Saraiva | Foto: Divulgação

Os riscos estão em todos os lugares

Para Saraiva, as razões que levam os pais a apostarem em condomínios vão além da sensação de controle.

O bem-estar das crianças é um dos fatores mais apontados pelos pais que querem oferecer aos filhos um bom espaço para brincar.

Ainda assim, Amilton ressalta que os pais não devem deixar toda a responsabilidade para os condomínios e que devem estar atentos para que os filhos não se envolvam em acidentes ou contraiam algum tipo de doença.

– Mesmo morando em condomínios, é necessária a atenção com a garotada e os pais devem se lembrar que crianças de até 10 anos não devem ficar muito tempo distantes ou andar sozinhas, pois podem sofrer acidentes em qualquer lugar como na escada, no elevador, na parte elétrica, entre outros locais – informa o especialista em administração de condomínios.

“Precisamos lembrar que criamos nossos filhos para o mundo”, diz Adriana Cabana | Foto: Divulgação

A psicóloga do Prontobaby – Hospital da Criança Adriana Cabana concorda e vai além. Para ela, ao mesmo tempo que o espaço fechado proporciona maior tranquilidade e liberdade aos pequenos, é preciso que os pais também pensem nas próprias atitudes para melhor criar os filhos.

A a especialista comportamental afirma que os filhos se espelham nas atitudes dos pais e isso faz toda a diferença em sua criação.

– Se o nosso discurso é de que do lado de fora não temos segurança, podemos transformar nossas crianças em adultos com potenciais fobias sociais – alerta.

Os mitos lá de fora

Cabana rechaça os velhos mitos de que crianças “criadas em condomínios” são diferentes ou menos preparados para viver no convívio social.

Para ela, o sucesso ou o fracasso de cada um não nada tem a ver com o local onde crescem e sim com os valores que suas famílias lhe passam.

A psicóloga bate na tecla do cuidado com o que está sendo dito para a criança.

– Se a mensagem é morar aqui porque é só num condomínio que estamos seguros, de fato, isolamos a criança da realidade. Mas se o nosso discurso é de que moramos aqui porque esse é nosso lugar e podemos usufruir deste local da melhor maneira possível, e que lá fora também existe algo (bom), podemos transmitir aos nossos filhos a escolha de conhecer o “lado de fora” ou não. Precisamos lembrar que criamos nossos filhos para o mundo – pontua.

Crescimento e civilidade

As regras de convivência são outros fatores que podem ser bem explorados pelos pais.

Adriana Cabana lembra que os condomínios contem normas para manter a ordem entre os condôminos e que os pais podem usar esses exemplos estabelecidos para demonstrar como é a vida em comunidade, ensinando as primeiras noções de civilidade e de boa convivência.

Esse tipo de atitude é muito importante para a formação desses jovens, principalmente quando eles começam a crescer e passam a ficar na rua sem a presença constante dos pais.

– Cada família deve estar atenta para observar e entender em qual grau de maturidade seu filho se encontra. Pais atentos saberão determinar esse momento com segurança. É claro que crianças ainda dependentes de cuidados pessoais devem ser mais observadas de perto. Talvez o início da adolescência possa ser um momento de aposta em responsabilidades – indica.

Por fim, a especialista pede atenção e cuidado especial aos filhos que costumam a se isolar e não receber amigos dentro de casa. Para a especialista é nocivo quando a criança permanece muito tempo na casa de outras pessoas.

– Cada família deve ser responsável pela criação de seus filhos e deve também saber responsabilizá-los pelas suas escolhas.

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