Exclusiva: Fernando Anitelli expõe os “truques” do Teatro Mágico

Músico falou com exclusividade ao Guia da Barra da Tijuca | Foto: Divulgação/Filipe Nevares

Por Fernando Rosenthal

O Teatro Bradesco recebe nesta sexta-feira (04) a “alma” do Teatro Mágico, o vocalista e líder da trupe Fernando Anitelli.

Pela primeira vez na Barra da Tijuca, o cantor fará um show recheado de argumentações, improvisos e interações.

Fatores, aliás, que compõem sua marca registrada. Inquieto e transpirando empolgação o cantor dedicou um tempinho na agenda para falar com o Guia da Barra da Tijuca.

Dinâmica como o músico é, a conversa começou por e-mail e terminou com respostas via áudio.

No papo, Anitelli repercutiu o que espera do inédito show na Barra, de que maneira passa seus valores às músicas, como interage com os fãs pessoalmente e também nas redes sociais.  

O músico também não deixou de avaliar questões básicas da sociedade e propôs mais troca de ideias para o país se unir.

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Anitelli se apresentará de “cara lavada” / Foto: Reprodução/Facebook

FR: Você já veio ao Rio em várias oportunidades, mas não me recordo se você já se apresentou na Barra da Tijuca. É a primeira vez?

FA:  Sim, eu já fui ao Rio em algumas oportunidades, mas eu nunca me apresentei na Barra da Tijuca. Vai ser a primeira vez, eu tô numa expectativa boa. Por que o Rio tem essa coisa dos bairros, né? Quem vai nos show da Lapa, vai nos shows da Lapa, quem vai nos shows de outros lugares, vai nos shows dos outros lugares. Então nem sempre a gente consegue acessar toda a gama de pessoas que querem estar presentes em uma apresentação da gente.

Eu acho importante tudo isso. Pra mim é gostoso quando tem as pessoas de primeira vez, essa surpresa, esse impacto. Isso é instigante, oxigena. Para quem já foi e vai ver essa apresentação, é diferente, a dinâmica é completamente outra.

FR:  Pude ver o show na Barra será muito intimista! Você vai estar “de cara lavada”, sem a sua caracterização do Teatro Mágico. Gostaria que você me falasse se já fez algum show assim aqui no Rio e qual é o sabor de fazer um show tão diferente do que os fãs estão acostumados com o TM?

FA: Nós fizemos duas apresentações no começo do ano no Blue Note (Lagoa). Foram duas apresentações esgotadas, cheias, foi muito legal. O público participa. A dinâmica é completamente outra, a atenção em cima do palco é para voz, para o violão e para os improvisos que vão acontecer.

Então tudo isso é muito bacana, revela uma porção de talentos que tem dentro do público, que muitas vezes com a trupe toda, aquele monte de gente, aquele circo acontecendo a gente não tem como visualizar, se encontrar com isso.

FR:  Já acompanhei um show do Teatro Mágico no Circo Voador e percebi uma interação diferenciada do público com a banda/trupe. Como todo “mágico” sei que você não pode revelar muitos dos seus truques, mas gostaria de saber a sua percepção quanto a isso. Que fatores levam a essa troca tão engajada?

FA: De fato é isso, quando você tá numa apresentação com toda a trupe. São muitas atenções, são músicos, atores, atrizes, performers, números aéreos, malabares, figurinos, cenários aquela coisa toda. E o voz e o violão traz um outro aspecto do Teatro Mágico, que é essa coisa original, da essência, de você poder revelar as músicas com a sua primeira ideia, o voz e o violão.

De você poder tocar músicas servindo como inspiração, tocar canções que foram do “Lado B” da nossa trajetória. Cantar os nossos sucessos. Ler poesias que inspiraram outros textos, referências, chamar o público para participar. Essa dinâmica é completamente outra. E tudo isso só fortalece a nossa caminhada e só fortalece nossa relação com o público, sem dúvida alguma.

FR:  Essa troca é da mesma intensidade nas redes sociais? Gostaria que você comentasse um pouco como é essa ponte, se pegam muito no seu pé devido a sua posições políticas e se isso já te causou algum transtorno, por exemplo.

FA: Olha, quando nós temos uma opinião X, as pessoas com a opinião Y surgem. Isso é natural, não tem problema algum. Aliás, é muito bom que seja assim, para que a gente possa minimamente aprender. Essas relações, essas trocas que eu tenho com o público, seja com a apresentação do Teatro Mágico que é mais cheia de pressão, efervescente.

Seja no voz e violão, que é mais estreita, próxima e transparente. Seja nas redes sociais que são com textos e vídeos as pessoas querem participar, querer colocar as ideias delas.

O problema nas redes sociais é a questão passional. As pessoas se tornam passionais demais e tipo, oito horas da manhã eu publico alguma coisa e alguém já vem e falam “Ah, não sei o quê! Discordo! Viu, hipócrita!?”. Gente, é sério que às oito horas da manhã você já vai estar chamando alguém de hipócrita?

Então tudo isso que está acontecendo agora tem que ser pedagógico. Para quem está no lado X ou no lado Y. A gente tem que aprender com tudo isso. Trocar as ideias, amadurecer as ideias, é nesse ímpeto que eu faço esse tipo de debate e jogo essa faísca na rede.

FR:  Volta e meia suas músicas trazem questões familiares e de pessoas próximas. Há algum desejo pessoal em valorizar as relações familiares aos jovens ou isso ocorre por acaso?

FA: Primeiro lugar seria definir o que é família. Que família é essa que você ouve eu falar nas canções? É uma família, mamãe, papai e cachorro? Filho, filha, essas coisas? Pode ser também… Eu, de fato, falo dessas relações estreitas, próximas. Podem sim ser familiares, podem sim ser de amizade, mas o que antes de tudo é a união, esse “junta tudo numa coisa só”. Em respeito, em amor, com coragem, aquele amor capaz de fazer revolução. É nesse lugar, é nessa tecla que a gente toca. Toda música nossa tem essa moral da história. Procure traduzir essa moral da história.

Qual é a mensagem, entrelinhas, escancarada, eu acho que é importante isso. Não a arte pela arte. A nossa arte é política, também levanta bandeiras, a nossa arte discute, debate e isso não quer dizer que a gente é de um partido específico. Não! O que a gente discute são as pautas.

Como é que um país como o nosso se diz incapaz de observar quais são as pautas que nos unificam? Então isso é fundamental. A família, inclusive, é um grupo de amigos, né? Que é a família que a gente escolhe. Quais são as pautas que nos interessam? É nesse aspecto que eu gosto de fazer a letra. Trazer o debate para que a gente possa cantar aprendendo, para que a gente possa cantar ensinando e para que a gente possa cantar trocando.

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