Exclusivo: subprefeito da região aconselha sucessor “Dê carinho a Jacarepaguá”

Marcio Valente falou com exclusividade ao Barra da Tijuca.com.br | Foto: Fernando Rosenthal

Marcio Valente falou com exclusividade ao Barra da Tijuca.com.br | Foto: Fernando Rosenthal

O subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá Marcio Valente concedeu entrevista exclusiva à equipe do Barra da Tijuca e não pulou nenhum assunto. Falou sobre os 7 meses à frente da administração da região, contou alguns dos desafios de governar a área com mais de 1, 2 milhão de habitantes, relembrou da importância da Jornada Mundial da Juventude de 2012 em sua formação enquanto administrador, deu conselhos para o próximo subprefeito e admitiu que gostaria de ter tido mais tempo de mandato para dar mais “carinho a Jacarepaguá”.

Em sua sala na sede da Subprefeitura da Barra da Tijuca e Jacarepaguá Valente também comentou também sobre a influência da pressão das redes sociais, algo recente, porém valioso de acordo com a opinião do administrador público escolhido para coordenar a principal região dos Jogos Olímpicos de 2016.

– É muito comum de eu chegar a printar (emitir uma cópia digital) e mandar para os meus assessores diretos para oferecer uma resposta completa para aquela pessoa. Já cansei de printar e mandar para o coordenador da CET-Rio para dar uma resposta correta embasada daquela pessoa que estava me questionando – afirma.

Nascido em Cascadura e criado Jacarepaguá, mas especificamente no sub bairro do Pechincha, Marcio diz conhecer a região com a palma da mão. Formado em Turismo e Hotelaria e pós-graduado em Administração Pública Valente é o último subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá na gestão Eduardo Paes.

Marcio Valente em frente a foto com Papa. Momento foi um marco em sua carreira pública. Foto: Fernando Rosenthal

Marcio Valente em frente a foto com Papa. Momento foi um marco em sua carreira pública. Foto: Fernando Rosenthal

Dentro da sua sala mantém um grande quadro que reproduz o momento que ele pode cumprimentar o Papa Francisco em julho de 2013, época da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O momento foi um motivo de orgulho, afinal Valente foi vice-presidente da Rio Eventos, a empresa municipal responsável por captar grandes eventos para a cidade. Para ele, a foto simboliza um grande processo de formação.

– De todos os eventos que eu ajudei a organizar a Jornada foi a mais trabalhosa. Tivemos que mudar o lugar (Pedra Guaratiba), pois não deu tempo de entregar o local todo. Foi uma coisa divina mesmo, com o pé d’água que deu, nós acabamos transferindo o evento para Copacabana. O bairro já tinha essa a convivência com os grandes eventos, então os órgãos (públicos) já sabiam o operacional, já faziam o Reveillón, alguns eventos grandes por lá, a mobilidade urbana é mais fácil para acessar. O resultado foi uma festa – comemora.

A experiência do evento se soma ao sucesso na Copa das Confederações e Copa do Mundo. Ambas as competições o credenciaram a assumir a Subprefeitura pouco antes da realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Marcio Valente diz que o grande desafio foi manter o nível de atendimento a população em alta enquanto o maior evento esportivo do mundo ocorria no Rio.

– Quando você assume um cargo você realmente tem aquele período de adaptação  Por que você tem que conhecer as pessoas, saber como funciona (a estrutura). Não adianta você querer mudar tudo. Você tem que ter essa percepção para saber o que você precisa mudar e também saber o que precisa continuar dando certo. O que me facilitou foi ter passado pela Rio Eventos e também por ter passado um período assessorando o Pedro Paulo (ex-candidato a prefeito do Rio pelo PMDB) quando ele deixou a Casa Civil e assumiu Secretário Executiva de Coordenação de Governo – explica.

Valente aponta que acompanhar o ritmo de trabalho de Pedro Paulo e Eduardo Paes não é uma tarefa fácil, afinal o secretário e o prefeito e são verdadeiros “workaholics”. O subprefeito acredita que por ter trabalhado como assessor direto do ex-candidato a prefeito acabou sugando um pouco do espírito de trabalho do líderes e isso facilitou o andamento dos trabalhos.

– Eles não tem hora para acabar. Tem que estar totalmente disponível, abrir mão de família em muitas vezes. Meus filhos moram comigo desde que me separei e então além de ter essa responsabilidade com o trabalho tenho a responsabilidade com a minha casa – conta o pai de um rapaz de 18 anos e uma jovem de 16.

Deveres que requerem muito tempo e acompanhamento. Encargos que lamenta não ter tido condições de estender com a mesma intensidade a Jacarepaguá. O bairro, que abrange a região da Freguesia, Curicica, Anil, Taquara, Tanque, Praça Seca, Pechincha, Cidade de Deus, Itanhangá, Gardênia, Vila Valqueire e Sulacap, na opinião do subprefeito, deveriam ser prioridade para o próximo ocupante do cargo.

– Dê um olhar mais carinhoso para a região de Jacarepaguá. Por que a gente teve aqui esses eventos praticamente na Barra da Tijuca, a gente teve essas obras todas que beneficiaram muito a Barra e o próprio Recreio com o Terminal do Recreio, Terminal Olímpico e Paralímpico – comentou.

O administrador regional explica que ao contrário do que as pessoas pensam sobre o cargo de subprefeito ou prefeito não há como garantir que tudo que é ordenado seja posto em prática imediatamente. Ele diz que é preciso seguir acompanhando os trabalhos para que as obras saiam do papel no Rio de Janeiro. Para ele é necessário ir a campo para avaliar cada detalhe. Marcio cita até o exemplo do Prefeito Eduardo Paes enquanto subprefeito da região. Ele conta que Paes chamava os grupos do RioLUZ, Conservação e Comlurb e andava por cada canto para encontrar uma poda mal feita, um remendo no asfalto ou uma acessibilidade mal executada.

– Nas Olimpíadas nós percorremos tudo isso aqui. – afirma – Você tem que estar na rua acompanhando. Se você não tiver, as coisas não saem conforme planejado. E as obras das Olimpíadas foram entregues dentro do prazo combinado. Mas por quê foram feitas assim? Porque nós tivemos junto ao prefeito, caminhando no Lote Zero (faixa do corredor Transoeste entre Terminal Alvorada e Jardim Oceânico), dando o exemplo – aponta.

E é essa a forma que Marcio pretende terminar seu mandato. Mesmo sem tempo para realizar grandes obras e intervenções o foco vai ser a continuidade das prioridades do cotidiano, com a coordenação das atividade em parceria com os demais órgãos públicos.

– Vou estar aqui para receber todo mundo, marcando reunião, sempre dando uma resposta para poder ajudar. Eu moro na Barra, estou sempre por aqui e no que eu puder ajudar, mesmo não estando mais na cadeira de subprefeito, eu vou ajudar. Vou me capacitar para lá na frente poder a voltar trabalhar com o poder público, que é a minha formação, minha pós é sobre o assunto e quero seguir.

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