Engenheiro da FGV: população da Barra não aderiu ao BRT

Marcus Quintella, engenheiro especialista em transportes da FGV | Foto: Divulgação

*Por Fernando Rosenthal

Há pouco mais de 1 ano o Rio de Janeiro vivenciava um dos momentos mais mágicos da sua história.  

A realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 foi um sucesso e a Barra da Tijuca virou uma região mais acessível, com estações de BRT e um metrô novinho em folha.

As melhorias são reconhecidas por moradores, frequentadores e turistas. Ainda assim existem problemas de tráfego na região como nas saídas de ônibus do Barra Shopping e do Shopping Via Parque, por exemplo.

Em entrevista ao Barra da Tijuca.com.br, o engenheiro especialista em transportes da FGV Marcus Quintella falou sobre as disparidades do trânsito da região, o fato do BRT e o Metrô não ter conquistado o coração dos motoristas, a lentidão nos sinais e outros assuntos pertinentes.

– A Linha 4 verdadeira ligaria a Barra ao Centro, passando pela Gávea, Jardim Botânico, Humaitá, Laranjeiras, Botafogo e Carioca. A Barra ficou com um metrô “capenga”, que chega somente ao início do bairro, com uma integração conceitualmente errada com o BRT, ou seja, no mesmo corredor, um modo de alta capacidade, o metrô, ligado a um modo de baixa/média capacidade, o BRT – explica.

Sistema de transporte não foi atrativo o suficiente para a população aderir na totalidade  | Foto: Divulgação

Para Marcus Quintella, a opção de por BRTs ao invés de novas estações de metrô fez com que o serviço não fosse tão atrativo para quem frequenta ou trabalha no bairro.

Esse seria um dos motivos que levam as pessoas a seguir optando seus carros ao invés de usar o transporte público para grandes deslocamentos.

–   Essas linhas de metrô seriam uma grande solução para a Barra e Recreio, pois estamos nos referindo a transporte de alta capacidade, para atender corredores de grande demanda de passageiros. Em complemento, essas linhas seriam alimentadas por ônibus circulares e algumas linhas de BRT, que são transportes de baixa e média capacidades, respectivamente, que formariam um sistema de transporte integrado e abrangente – acrescenta.

Implantação do serviço de BRT foi alvo de críticas de especialista da Fundação Getúlio Vargas  | Foto: Divulgação

E a baixa adesão dos moradores ao sistema metroviário é algo que já gera prejuízos para a empresa que administra o metrô. Recentemente o Metrô Rio precisou fazer promoções com os tickets de viagem para incentivar a utilização do sistema durante o período das férias.

O especialista da FGV afirma que para funcionar perfeitamente a integração deveria de ocorrer no Terminal Alvorada, com a junção de e ônibus circulares nas estações para levar os passageiros a suas casas.

– As transferências entre modos de transporte existem em todo o mundo, mas, no caso do metrô da Barra, a população está sentindo-se penalizada com a transferência entre modos de transporte de capacidades diferentes e, por isso, não aderiu ao BRT, como comprovam os números. Além disso, a estação Jardim Oceânico carece de uma estrutura de estacionamento para atrair os moradores do Recreio e Barra – pontua.

Informatização, segurança e educação

Excesso de sinais geram diversos fatores de insegurança | Foto: Divulgação

A segurança no trânsito também gera preocupações em vários pontos de vista. No último dia 21 de setembro um homem foi atropelado e morto por um BRT próximo a estação Américas Park. Perguntado se adoção de cercas seriam eficazes para isolar as faixas de ônibus e evitar casos semelhantes, o engenheiro de transportes disse ser contra a adoção de cercas de isolamento.

– Não concordo com cercas de proteção ao longo da via, pois pouco adiantará em termos de segurança, se não houver uma conscientização da população sobre as vias exclusivas dos BRTs, assim como ocorre no mundo todo, inclusive, para Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs). O problema é de educação e também de treinamento dos motoristas dos BRTs – avalia Marcus Quintella.

Para o especialista da FGV, outro fator a ser discutido é a lentidão dos sinais. Quintella aponta que os cidadãos cariocas trafegam a uma velocidade média de 33,5 km/h devido ao excesso de semáforos. Uma lentidão que contribui para insegurança pública e momentos de stress nas ruas. Ao todo seriam 2.300 conjuntos de sinais da capital fluminense que ainda funcionam com padrão de duas décadas atrás.

– Para entender o problema, basta percorrer de carro as ruas do Rio e perceber que a sincronização semafórica, de forma informatizada e inteligente, renderia muitos frutos para a qualidade de vida dos cidadãos cariocas, com expressivos ganhos de tempo, diminuição do nível de stress e aumento da segurança – argumenta.

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