Embaixador alerta para os perigos da comida japonesa em churrascarias

Chef abriu dois restaurantes no Vogue Square | Foto: Barra da Tijuca

*Por Fernando Rosenthal

Se você já experimentou um sushi ou sashimi e enche a boca para dizer que comeu “muitos pratos japoneses”, está na hora de repensar suas experiências gastronômicas.

 Ao contrário do que muitos imaginam, os pratos japoneses não são apenas crus ou feitos só com carne de peixe. Nesta cozinha também é possível encontrar iguarias feitas com a carne bovina ou de aves.

Tudo com sabores, texturas e aparências muito diferentes do que os brasileiros se habituaram a lidar.  Foi pensando nessa limitação de informações que o Governo do Japão decidiu que era hora de diversificar.

Foi assim que surgiu a honraria “embaixador da difusão da culinária local” para difundir e aumentar a percepção do país ao redor do mundo. Uma missão que é desempenhada no Brasil pelo chef Shin Koike.

Radicado no país desde 1994, Koike decidiu vir para o país após um amigo mostrar algumas pesquisas de mercado sobre os hábitos gastronômicos dos brasileiros. De lá para cá lançou alguns restaurantes até fixar no famoso “Aizomê” que fica em São Paulo.

No começo deste ano finalmente abriu dois restaurantes (Shin Koike e o Izakaya) na Barra da Tijuca. Mais do que apenas um empreendedor e embaixador da gastronomia japonesa no Brasil, Koike é uma verdadeira autoridade no assunto.

Em entrevista exclusiva ao Barra da Tijuca.com.br, o chef contou que também é idealizador da “Copa Brasil – Best Sushiman”, um evento que seleciona os melhores chefs da culinária japonesa no país.

O nível de competição é tão elevado que o vencedor da etapa brasileira de 2015 (Celso Hideji Amano) foi campeão do WORLD SUSHI CUP 2016 realizado no Japão.

– Celso trabalha comigo em São Paulo e é um profissional formado pelo Best Sushiman – orgulha-se Koike.

Koike ao lado do campeão mundial Celso Hideji | Foto: Divulgação

Uma lapidação que realmente se faz necessária, afinal a preparação dos alimentos japoneses precisa ser feita com intenso cuidado. O cozinheiro alerta, por exemplo, para a existência de “churrascarias” e “padarias” brasileiras que vendem supostas comidas japonesas, mas que por serem preparadas de qualquer modo, representam um risco real para a saúde das pessoas.

– A gastronomia japonesa mexe com muito peixe cru. É algo muito perigoso. No momento, aqui no Brasil se usa muito sushi, sashimi até em churrascaria e padaria. Acho que eles estão pensando que todo mundo que pode comer qualquer coisa. Mas é muito perigoso isso – avisa.

Cuidados na preparação

O embaixador admite, no entanto, que o governo japonês poderia atuar em conjunto com órgãos públicos como a ANVISA e o Ministério da Saúde para alertar e manter um controle maior na preparação desses alimentos. Afinal, se algum local que vende ‘comida japonesa’ fizer mal a alguém é ruim para todo mundo, inclusive para os restaurantes japoneses. 

– Ainda não temos projetos vinculados com ANVISA ou Ministério da Saúde, mas independentemente disso a gente está sempre falando desses pontos em eventos e palestras – explica.

O chef japonês também prega que a população também deve se conscientizar que não é possível comer tudo em qualquer lugar, principalmente quando o cozinheiro tira as informações da internet. Koike esclarece que apesar de parecer muito fácil de preparar a comida com ajuda de fotos e vídeos é preciso respeitar certos procedimentos básicos.

– É fundamental saber eliminar toxinas para evitar contaminação. Ou seja, é muita coisa. São muitos detalhes para prestar atenção – explica.

E para quem não se assusta com toda a “mística” em cima da culinária japonesa e está pensando em experimentar os pratos autênticos do Japão, Koike indica que é possível variar. Existem pratos feitos a vapor e cozido como os alimentos brasileiros por isso não se deve ficar assustado.

– Há um leque muito grande. Por exemplo, tem carne grelhada lá no Japão. Tem rabo e lingua de boi também. O tratamento e o sabor é que são diferentes, mas não é frescura não, é mais um costume mesmo –  brinca.

Reverência ao estilo local

A preferência dos japoneses por frutos do mar é mais por uma necessidade do que por uma escolha. Shin Koike explica que pelo fato do Japão ser uma ilha, há no país uma costa muito rica em peixes, assim como no Rio de Janeiro. Ele afirma que são mais de três mil tipos de frutos nos mares japoneses. 

– Por isso o crescimento e  contínuo uso de frutos do mar. Mas se você já ouviu falar do kobe bife, ela é uma carne japonesa, macia. É a carne mais cara do mundo. Lá se come pato e ganso também – explica.

Mural japonês no restaurante Shin Koike | Foto: Reprodução

Aliás, a valorização da cultura local é algo que Shin sabe fazer. Além de colocar grandes murais que remetem a cultura japonesa em ambos os restaurantes, o chef gosta de adicionar ingredientes típicos em seus pratos. Nas unidades da Barra da Tijuca, por exemplo, é possível encontrar pratos com o Robalo, a Garoupa, Beijupirá, Olho de Boi, Marimbá, Carapeba e Viuvinha.

– Eu estou usando “peixe carioca”, regional. A costa do Rio de Janeiro tem bastante peixe bom. Mas, infelizmente o pessoal não sabe comer. Dá pra fazer ao estilo japonês, porque é um peixe muito bom – comenta.

E não são só os peixes do Rio que mexem com o estômago do chef japonês. Os bons e tradicionais pratos do Rio também são bem vindos ao chef Koike. Ele se diz apaixonado por caldo de mocotó e caldo de feijão.

– Comida de boteco é maravilhoso – finaliza com uma boa risada.

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