Crescimento de comunidades preocupa superintendente da Barra: “coisa de doido”

Thiago Barcellos recebeu o Barra da Tijuca.com.br e falou sobre os planos para 2017 | Foto: Fernando Rosenthal

*Por Fernando Rosenthal

Um ano para arrumar a casa. É dessa forma que Thiago Barcellos, primeiro superintendente regional da história da Barra da Tijuca resumiu como será a atuação da Prefeitura do Rio até o fim de 2017.

Em entrevista exclusiva ao Barra da Tijuca.com.br o ex-responsável pela Região Administrativa da Barra e ex-subprefeito do Centro e do Centro Histórico do Rio durante a gestão de Eduardo Paes, Barcellos não poupou críticas ao antigo chefe.

– O último governo gastou tudo que podia e mais um pouco. E deixou um rombo de R$ 4 bilhões. Para se ter uma ideia, a folha (de pagamento) fecha só até novembro. Então vamos ter que ter criatividade para fechar pelo menos o ano. O Eduardo deixou a bicicleta toda montadinha, mas sem parafuso, com pedal frouxo e banco caíndo. Na hora que a gente montou nela…“bléu” (faz o som com a boca), desmontou tudo – relata.

Crescimento das favelas

Uma das preocupações na região é o crescimento desordenado de comunidades. A superintendência que abrange Joá; Itanhangá, Barra da Tijuca, Camorim, Vargem Pequena, Vargem Grande, Recreio dos Bandeirantes e Grumari já identificou vários pontos de desordem.

O servidor público aponta, por exemplo, o Morro do Banco que fica no Itanhangá. De acordo com a sua interpretação, o local estaria três vezes maior do que quando ele atuava no local, em 2009.

– Aquela comunidade “Beira do Rio” também, que fica atrás do Empório Therezinha, um restaurante, na Avenida das Americas, no Recreio… meu Deus do Céu, coisa de maluco. Tinha uma rua em 2009. Era uma ruazinha, devia de ter umas cem casas. Hoje eles começaram a invadir a área e tão dando a volta no quarteirão e deve ter umas 30 mil pessoas morando ali. De 2009 até 2017. Coisa de maluco – critica.

Ainda assim Barcellos acredita que o trabalho de recuperação da ordem região será mais prático graças a separação de Jacarepaguá e Barra da Tijuca em duas superintendências ao invés da antiga subprefeitura.

Para o servidor haverá uma dedicação ainda mais intensa aos interesses de todas as regiões do Rio. Um exemplo de como deve atuar daqui para frente, ocorreu algumas horas antes da entrevista.

O superintendente foi acompanhado de fiscais da Prefeitura e patrulhas da Polícia Militar do Rio de Janeiro até o Joá para fechar mansões que realizavam festas comerciais em áreas exclusivamente residenciais.

A liderança da Superintendência foi até o Joá essa quinta, 9 | Foto: Assessoria/Prefeitura

– Tudo sem alvará e sem licença dos bombeiros. Festas para duas mil pessoas, com venda de ingressos livres na internet. Eu estava vendo uma casa, construída em cima da encosta, a gente não sabe se aquela casa tá preparada pra receber duas mil pessoas. As pessoas ficavam em cima de um deck, pulando e dançando. Será que o cálculo foi feito para mais de 2 mil pessoas, será que tem manutenção? – questiona.

Novos projetos

Por esse motivos, quem espera por novas intervenções ou melhorias de grande porte neste ano, Thiago indica que será necessário paciência. O foco da Prefeitura comandada por Marcello Crivella será a melhoria da qualidade do serviço público e a recuperação da eficiência da administração pública até que as contas estejam equilibradas.

Por isso, é bom ser paciente quanto ao projeto das balsas que vão ligar o Península até o Jardim Oceânico, por exemplo. O superintendente apontou que tudo está na fase de estudos e que ainda não tem estudos prontos sobre o assunto.

A “obra” que Thiago deseja realizar é o levantamento das potencialidades do bairro e sua exploração conjunta com empresários, redes de hoteis e a população da região.

Barcellos pretende reunir os principais promotores de eventos da região na próxima semana para criar um calendário de eventos da Barra. Além disso, um dos seus objetivos é revitalizar e integrar a Cidade das Artes ao bairro. Uma nova rua ou passarela para conectar as proximidades não está descartada.

– Vamos buscar projetos para aproveitar melhor aquele espaço, que é tão bom é que precisa ser descoberto pelos moradores e visitantes. Tem que ter uma sinergia em que todo mundo possa ganhar. A gente fica recebendo uma reclamação enorme por parte dos comerciantes, por conta de umas feiras de food trucks que tem na Barra. Que as vezes acontecem, geram concorrência e aí é sacanagem. Pode ter, mas tem que saber onde, quando e por quê. Ai se cria um calendário para isso e todo mundo ganha. Comércio de rua é a mesma coisa. Precisamos saber como faz. Botar o pessoal para trabalhar em conjunto – planeja.

Interação popular

União e proximidade que Barcellos prega para o bom desenvolvimento da Barra. Questionado como lida com as cobranças da população, o superintendente se coloca à disposição para quem quiser entrar em contato e reinvindicar melhorias locais.

– Eu tento criar um canal direto de comunicação. Costumo dar meu celular para as pessoas ligarem. Recebo tudo no WhatsApp e tento responder o mais rápido possível. A gente tem que estabelecer uma relação com as pessoas. Não é só estabelecer uma relação de demanda, de forma fria. É o contrário, eu tenho um papel de entender um pouco o sentimento de cada um e tentar traduzir isso para a Prefeitura entender como deve responder. É para deixar claro que estamos aqui para atender a população. E vai fazer parte da vida de cada um essa administração.

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