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Procaina

Procaina


O ator Sylvester Stallone diz que não vive sem ela. A jornalista Marília Gabriela garante que com ela ganhou mais disposição. A apresentadora Babi recorreu a ela para entrar em forma antes de posar para uma revista masculina. Eles estão falando da procaína, um remédio consumido como poção antienvelhecimento por 60 mil brasileiros. Embora esteja longe de ser uma unanimidade no meio médico, a procainoterapia é sucesso entre seus seguidores, gente rica e famosa que não se importa em pagar R$ 5 mil por seis meses de tratamento – embora uma ampola da substância custe só R$ 30 numa farmácia de manipulação.

‘Minha vida se transformou após o início do tratamento’, diz o ex-jogador profissional de vôlei Bernard Rajzman, apresentado ao tratamento pelo piloto Emerson Fittipaldi. Hoje, aos 47 anos, dois e meio de tratamento, Bernard garante que se sente melhor e mais disposto do que nos tempos de glória nas quadras de vôlei. Ele toma três injeções semanais e não pretende parar. ‘Antes eu vivia cansado. Agora posso dormir às 2 da manhã que acordo às 6 cheio de pique’, diz. ‘Sou uma cobaia feliz.’

Durante várias décadas a procaína, conhecida também como novocaína, foi usada apenas como anestésico dental, para aliviar a dor durante obturações. Nos anos 30 um médico alemão, Ferdinand Huneke, testou injeções do remédio para diversas doenças, mas nenhuma pesquisa comprovou sua eficácia e o tratamento foi abandonado. Nos anos 50 a cardiologista romena Anna Aslan passou a pregar as virtudes antienvelhecimento do remédio. Abandonou a cardiologia e montou uma rede de clínicas nas quais usava uma fórmula à base de procaína para tratamentos geriátricos. A fórmula não foi aprovada pela FDA, o órgão regulamentador de medicamentos nos Estados Unidos, para ser vendida como remédio, mas o Estado de Nevada liberou seu uso, argumentando que a clínica atrairia turistas. Pelas mãos de Anna passaram estadistas como Mao Tsé-tung, Charles de Gaulle e Winston Churchill. Meia Hollywood também fez ponto em sua clínica – Kirk Douglas e Marlene Dietrich eram habitués. Até Juscelino Kubitschek se tratou ali, durante o exílio.

Anna morreu em 1988, mas a procaína continua sendo vendida pela internet em várias fórmulas de rejuvenescimento, apesar das críticas da comunidade científica. Seus seguidores dizem que ela estimula a produção de hormônio de crescimento e limpa as artérias, melhorando a circulação, garantindo com isso efeitos rejuvenescedores na pele e no cabelo, melhoria da memória e o aumento do apetite sexual. Não há estudos, porém, que comprovem nenhuma dessas virtudes. ‘Anna Aslan nunca publicou pesquisas científicas sobre a substância. De qualquer maneira, não há indícios de que a procaína possa estimular hormônio do crescimento ou limpar artérias’, diz Aloizio Faria de Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética. ‘Pesquisei em todos os bancos de dados possíveis e não encontrei nenhum estudo validando a procaína como recurso antienvelhecimento. Além disso, a procaína não está registrada na Anvisa para ser usada com este fim’, diz a dermatologista paulista Denise Steiner. Lúcia Helena Arruda, ex-presidente da seção paulista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, observa que a procaína deixou de ser usada como anestésico porque pode provocar reações alérgicas, inclusive choque anafilático. ‘Não há comprovação de que funcione em tratamentos de rejuvenescimento. Para fins estéticos, a medicina hoje sugere recursos mais estudados e comprovadamente eficientes, como peeling, laser e Botox’, explica.

Toda essa artilharia não afasta os fãs do tratamento. ‘Antes da procaína, eu não via graça em nada. Estava sem brilho, sem cor’, diz o senador Arthur Virgílio. Ele começou o tratamento em 1990, quando tinha 46 anos. Parou de tomar a procaína apenas uma vez e, segundo ele, foi o suficiente para sua resistência cair e a apatia voltar. ‘Matar não mata e me faz um bem danado, nem que seja psicológico’, completa. De fato, é exatamente esse o efeito que a maioria dos médicos reconhece no remédio. Estudos sugerem que a procaína pode ter um ligeiro efeito antidepressivo, que dá aos usuários a sensação de vitalidade. Por outro lado, isso é também uma restrição. Pessoas em tratamento psiquiátrico, que tomam tranqüilizantes ou antiepiléticos, devem ficar longe da substância.

‘A procaína é o mais moderno remédio antienvelhecimento de que se tem notícia no mundo’, defende o médico Eduardo Gomes, discípulo de Anna Aslan. Graças ao sucesso da procaína, o doutor Eduardo leva vida de artista. Passa a semana viajando pelo país para atender clientes nas seis clínicas em que a procaína é a grande estrela. Apesar do elevado custo do tratamento, conseguir um horário nas clínicas do doutor Eduardo não é uma tarefa fácil. Quem chega lá, além de receber a recomendação de tomar o remédio na veia, também é aconselhado a ingerir diariamente um coquetel de vitaminas e minerais, seguir uma rígida dieta alimentar e praticar exercícios, de preferência musculação. Quem fizer tudo isso, segundo o doutor Eduardo, sentirá os primeiros efeitos em três dias. ‘Sou elétrico’, afirma o jornalista Fernando César Mesquita, de 64 anos, adepto da procaína há oito anos. ‘Não sei o que é gripe, não tenho dor de cabeça e minha pressão está sempre boa. A única coisa chata é a injeção’, afirma.

Fonte: Revista Epoca


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