PISCINA + SEGURA

Sobrasa lança campanha de prevenção de afogamentos em piscinas

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O afogamento é a segunda causa de morte de crianças. A campanha PISCINA + SEGURA, que está sendo lançada esta semana, aponta cinco atitudes para aumentar a segurança em até 95%.

O verão chegou e, junto com ele, uma ameaça iminente: o risco de afogamentos e de mortes causadas em piscinas, praias, rios, lagos, açudes e represas. Segundo o Dr. David Szpilman, diretor-médico e fundador da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), só no Brasil 20 pessoas morrem afogadas todos os dias e o afogamento é a segunda causa de morte em crianças de um a nove anos de idade e a terceira, entre dez e 19 anos.

Os afogamentos em piscinas representam 53% de todos os casos de afogamento entre crianças, na faixa etária de 1 a 9 anos. Por isso, a Sobrasa através de sua diretoria -formada em sua maioria por representantes do Corpo de Bombeiros em todo o Brasil – trabalha, cada vez mais, na prevenção. A campanha PISCINA + SEGURA está sendo lançada esta semana em todo o país, com o objetivo de passar informações, conscientizar a população e reduzir os índices de afogamento e mortes neste verão, principalmente em piscinas.

David Szpilman explica que com apenas cinco atitudes, já é possível aumentar em 95% a segurança nas piscinas residenciais, de clubes, hotéis, academias e condomínios. “É como uma vacina contra o afogamento. Adote essas atitudes e você estará fornecendo grande proteção e segurança aos seus filhos”, incentiva David.

1. Tenha 100% de atenção no seu filho e o mantenha sempre à distancia de um braço;
2. Cobre a presença permanente de um guarda-vidas em piscinas coletivas;
3. Saiba como agir em casos de urgência;
4. Cerque as piscinas, restringindo o acesso de crianças;
5. Use ralos anti-sucção e meios de interrupção da bomba da piscina;

Para os pais, são três as recomendações principais: aprender como agir em emergências aquáticas, não estar a mais do que um braço de distância da criança mesmo na presença de um guarda-vida e restringir a entrada das piscinas residenciais com o uso de grades ou cercas, instaladas a uma altura que impeça crianças de entrarem no recinto da piscina sem estarem acompanhadas de um adulto.

Para estabelecimentos como clubes, hotéis e condomínios, a orientação da Sobrasa é adotar sempre ralos anti-aprisionamento e também um sistema de desligamento da bomba, caso necessário. Além disso, deve-se ter sempre a presença de um guarda-vidas habilitado para o trabalho de prevenção e socorro aquático.

Sobre a campanha PISCINA + SEGURA:
É surpreendente constatar que no Brasil, apesar de mais de 90% dos óbitos por afogamento ocorrerem em água doce (piscinas, parques aquáticos, represas e rios), não existe ainda nenhuma legislação federal que sustente ou exija um mínimo de segurança nesses ambientes públicos. A Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) elaborou, então, um Projeto de Lei (veja em www.sobrasa.org), que encontra-se em tramitação no Congresso Nacional. Em paralelo, a entidade desenvolveu um cuidadoso ‘Programa de Controle de Qualidade em Segurança em Instalações Aquáticas’, nascendo assim a campanha PISCINA+SEGURA.

A Sobrasa define como “piscina” nesse projeto toda e qualquer estrutura destinada a banhos, práticas de esportes aquáticos, realização de atividades terapêuticas e/ou de reabilitação, com os respectivos equipamentos de tratamento de água. De acordo com o programa, as piscinas de academias de educação física, hotéis e clubes devem possuir condições específicas de segurança em afogamento, principal causa de óbitos nesses estabelecimentos. Além disso, precisam contar com acessos, serviços, condições higiênicas e sanitárias específicas que reduzam os riscos de incidentes e, principalmente, estar supervisionadas e vigiadas por guarda-vida de piscina em número julgado suficiente. A função principal do guarda-vida nessas instalações é preventiva, mas esse profissional deverá também estar devidamente habilitado a prestar socorro dentro e fora da água, além de ser certificado por uma instituição idônea, reconhecida pela Sobrasa.

Segundo Dr. David Szpilman, idealizador da campanha, foram nove meses de gestação do programa, envolvendo reuniões entre especialistas, guarda-vidas, médicos, organizações de direitos da criança, representantes de materiais de piscinas e pais que já sofreram a perda de um filho por afogamento em piscina.

O I Simpósio Brasileiro de Salvamento Aquático em Piscinas, realizado em julho de 2013, possibilitou formular políticas de prevenção e uma grande troca de informações, que impulsionou a conclusão do programa e seu lançamento oficial agora em dezembro de 2013, às vésperas da chegada oficial do verão.

Números de casos de afogamento no Brasil e no mundo
Os números são alarmantes. Anualmente, cerca de 500 mil pessoas são vítimas fatais de afogamento em todo o mundo. No Brasil, o afogamento é a segunda causa geral de óbito entre crianças de 1 a 9 anos, só perdendo para acidentes de trânsito. Só em 2011, foram registradas 6.500 mortes por afogamento no país.

Diretor-médico da Sobrasa, David Szpilman explica que para evitar novas mortes, há de se investir cada vez mais em programas de prevenção e na conscientização da população para que enxergue o afogamento como uma ameaça real e iminente e este é justamente um dos desafios da Sobrasa, fundada por Szpilman ainda na década de 90. Ele explica que, ano após ano, o número de óbitos vem caindo no Brasil, mas no verão o número de casos tende sempre a dobrar e faz um alerta:

– Na praia, piscina ou em qualquer lugar próximo a água, mantenha 100% da sua atenção nas crianças. O aumento da supervisão pode salvar vidas. Estudos revelam que 85% das mortes de crianças por afogamento podiam ser evitadas com o aumento da supervisão por parte dos adultos. Basta um piscar de olhos, uma fração de segundos para se perder uma vida, conta Dr. Szpilman, que publicou um trabalho sobre o tema na prestigiada revista New England Journal of Medicine.